domingo, 5 de dezembro de 2010

Prisão II

A falsa paz das quatro paredes
Vigiadas, cheias de aflição
O medo dentro é maior que fora
Mas quem vai falar mal da construção?

Se pedir barreiras pra esconder o mundo
Talvez fuja de tamanha pressão
Mas quem fecha a alma no próprio corpo
Nem sequer tenta ouvir a canção.

Prisão I

Da janela eu vi o sol batendo
Nas folhas douradas que caíam do ipê
E, em qualquer outro lugar, eu acharia
Em tal imagem a dádiva do dia...

Mas não aqui
por que o aqui me sufoca.

domingo, 1 de agosto de 2010

Happy End



O meu amor e eu
nascemos um para o outro
agora só falta quem nos apresente.
Cascaso

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Obedecer

Meus sapatos na janela
Minhas cortinas no chão
O café gelado, sem vida
Deixou marcas no colchão.

Se as fotos que guardei fossem fora
Diria que te esqueci
Mas ao abrir a gaveta das meias
Sempre, sempre lembro de ti.

A mãe disse pra sempre
Pensar antes de falar
E o pai me mandou contar
Até dez antes de chorar.

A mãe disse: "filha,
correr atrás é se rebaixar"
E o pai falou, sério, que o mundo
Não vai parar de girar.

O problema é que esqueceram
De um detalhe bem importante:
Eu sou teimosa e não aprendo
Sem tentar.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Uma da série "Casos":

- Me odeias, não?
- Não te odeio (risos). Aliás, sabes que... se te odiasse... seria uma coisa boa.
- Boa? Estás louco, só pode.
- O ódio é um sentimento muito forte.
- Porém um sentimento ruim!
- Bom, ruim, tanto faz. Se eu te odiasse jamais te esqueceria.
...
- Queres me odiar?
- Não, nunca. E também não quero te esquecer.
(se olham, meios sorrisos. Se beijam.)

Confesso que teria sido mais bonito se também tivéssemos falado do amor. No entanto, é muito cedo para incluí-lo no tal relacionamento. Por enquanto falamos do amor brincando com o ódio. Já falamos do amor e nem notamos...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Má Educação

"Bom dia", ele disse,
Mas não senti sinceridade.
Ninguém sentiu.

Já era tempo dele notar
Que seu teatro fora desvendado
E suas falas decoradas
Não desciam nossas gargantas.

O mestre achava que poderia fingir
Quando nós somos feitos
Inteiramente de sentir.

E o intelecto que tentava,
Sem muita glória, nos passar
Já não era aprendizado
Era só um decorar.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Moldagem

Quando saí já era dia
Mas a lua brilhava, imponente,
No meu céu azul e seco
Céu de inverno.

Adoro essas misturas
Que o universo se auto faz,
Dia com lua,sol com noite,
Parece saber sair sozinho
Da rotina que construiu.

Saí tarde, mas acordara cedo
Perdera muito tempo em frente ao espelho
É que naquele dia não me reconhecera
Aqueles olhos não eram meus
Aquela pele, tinha certeza
Havia mudado durante o sono.

Mas tudo bem, me misturava
Como o universo fora da rotina
Me acostumaria com a mudança
e mudaria mais de uma vez
(nunca fui alguém de faces iguais).

terça-feira, 8 de junho de 2010

Sobre Poemas de Amor

Nunca aprovo meus poemas de amor. Acho-os tolos, meio bobos. Até frescura me parecem. Oras, dizer que "sofro de amor"! Não sofro. Não dói.
Fico ansiosa sem saber o que esperar. Sinto a saudade de ter por quem esperar e a raiva de não parar de pensar que fomos um (por que não mais?).
Fico tonta ao olhar tuas fotos, minhas mãos não obedecem quando tento as rasgar. Me tortura ler declarações que vêm de ti, mas não para mim.
O tempo nem sempre passa. As vezes vem o frio. O esperado inverno, quando misturado à dramática carência, quero que parta logo.
Mas não sofro. Não admito, ao menos. É bobo e tolo. Até frescura me parece, essa coisa de sofrer...
... De suar frio...
... De tentar imensamente, mas não esquecer.

domingo, 16 de maio de 2010

Teu Porto

Se estás com raiva: vamos, mostra isso!
Todo este barulho não me impressiona.
Podes fazer as ondas que quiseres
Eu sei que não vou sair daqui.

E, além, me empurrar com todo teu vento
Que te abraço e sei que precisas de mim.
Precisas de mim pois não tens esperança
Não tens mais pedra pra te agarrar.

E talvez eu te de segurança
Um porto onde sabes que vais descansar.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Passarinho

Hoje, ao passar pelo gramado,
Colhi duas flores
Tão belas, tão rosas
Tão inusitadas fora da primavera.

Agora, ao vê-las murchas
No copo com água
Onde as sepultei
Me sinto mais humana do que nunca.

Pois o homem não tem delicadeza
Para apreciar as flores
Sem arrancá-las
Ou a vida
Sem dominá-la.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Lili

Posso parecer boba se disser
que sinto
uma vontade nova de me apaixonar;
Parecer tola se disser
que pinto
meus olhos pra te encontrar...

Gosto de dias
Que parecem com sonhos:
nem penso no que faço, assim,
não tenho que acordar.

Mas hoje
ouço vozes no vizinho
(queria era ouvir
o telefone tocar).

O relógio canta os segundos
da melhor parte do dia, a noite
E eu, em vez de cantar,
escrevo.

Será saudade?
Já me deixei levar.
Ah...
Quem dera eu mesma me mandar.
Quem dera ser tão fácil
calcular.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Feriado

Não vou ficar de olhos abertos
A luz do sol quer me cegar
E as únicas perdidas almas da rua
Não estão onde queriam estar.

Perdi a hora;
Não fui pra casa;
Que saudade da monotonia
típica do meu lugar.

Eu gosto da liberdade
Aprecio, sim, a solidão
Mas quando acordo
um pouco mais carente
Quero ser filha
e quero ser irmã.

domingo, 28 de março de 2010

Sobre a magia do tempo

Ah, o inverno!
Que falta faz o frio
no calor.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Pronto pra outra

gravei seu olhar seu andar
sua voz seu sorriso.
você foi embora
e eu vou na papelaria
comprar uma borracha.
Chacal

Quem precisa de complexidade?

segunda-feira, 22 de março de 2010

Rotina

Vi um menino atravessando a rua
da cidade deserta.

Me pareceu um homem pequeno:
O corpo de criança,
Os olhos de quem já viveu
muito mais do que eu.

Nem olhava o local por onde passava
Já o decorara.
Nem as pombas voavam para fugir...
Já o decoraram.

terça-feira, 16 de março de 2010

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Rua

Estranho.
Havia carros, cachorros,
Havia o pôr-do-sol
Mas ninguém além de mim.

Havia música, luzes
Vento e pássaros
Porém ninguém além de mim.

Duas hipóteses me invadiam:
- Uma mensagem de rádio,
a qual só eu não dera ouvidos,
anunciando o temporal.
- O frio, que voltara
Assustando os humanos
Que não podem com mudanças
só com costumes.

Nenhuma das duas me mandaria pra casa.
Do temporal, poderia me esconder.
As mudanças, torná-las costumes.