sexta-feira, 30 de julho de 2010

Obedecer

Meus sapatos na janela
Minhas cortinas no chão
O café gelado, sem vida
Deixou marcas no colchão.

Se as fotos que guardei fossem fora
Diria que te esqueci
Mas ao abrir a gaveta das meias
Sempre, sempre lembro de ti.

A mãe disse pra sempre
Pensar antes de falar
E o pai me mandou contar
Até dez antes de chorar.

A mãe disse: "filha,
correr atrás é se rebaixar"
E o pai falou, sério, que o mundo
Não vai parar de girar.

O problema é que esqueceram
De um detalhe bem importante:
Eu sou teimosa e não aprendo
Sem tentar.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Uma da série "Casos":

- Me odeias, não?
- Não te odeio (risos). Aliás, sabes que... se te odiasse... seria uma coisa boa.
- Boa? Estás louco, só pode.
- O ódio é um sentimento muito forte.
- Porém um sentimento ruim!
- Bom, ruim, tanto faz. Se eu te odiasse jamais te esqueceria.
...
- Queres me odiar?
- Não, nunca. E também não quero te esquecer.
(se olham, meios sorrisos. Se beijam.)

Confesso que teria sido mais bonito se também tivéssemos falado do amor. No entanto, é muito cedo para incluí-lo no tal relacionamento. Por enquanto falamos do amor brincando com o ódio. Já falamos do amor e nem notamos...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Má Educação

"Bom dia", ele disse,
Mas não senti sinceridade.
Ninguém sentiu.

Já era tempo dele notar
Que seu teatro fora desvendado
E suas falas decoradas
Não desciam nossas gargantas.

O mestre achava que poderia fingir
Quando nós somos feitos
Inteiramente de sentir.

E o intelecto que tentava,
Sem muita glória, nos passar
Já não era aprendizado
Era só um decorar.