terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Ela em mim

Mentir é fácil!
Um pouco de lábia e um lado teatral
Todo mundo tem.
Difícil é conseguir enganar a si mesmo:
Dentro de mim tem alguém
que desvenda toda minha farsa
E, por mais que eu tente,
não consigo
me voltar ao que devo
e não ao que quero.

sábado, 3 de dezembro de 2011

RE

No dia do ocorrido era tudo perplexidade
Na semana seguinte se tornou depressão
Passaram-se os meses e virou medo
Um ano depois, comentam eles pelos cantos, voltará
Na mesma data, mas sem surpresa, pra recastigar.

Se ando pelas ruas e olho a água,
penso a vida e vejo a calmaria que voltou...
Mas as pessoas, ah, elas me enervam
com suas mãos gesticulantes e mentes sofredoras
no mercado ou na praça falam alto que virá
na mesma data, mas sem surpresa, pra recastigar.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Primavera Verão

Vi uma menina com cabeça de guarda-chuva
e ela era linda.
De agora em diante vou usar um ventilador na cuca...
tenho certeza de que vai ser moda na próxima estação.

domingo, 9 de outubro de 2011

Placebo

Respirei fundo, tentei falar
e não escutei voz alguma.

Me calei, então, para escutar o silêncio
Já que todas as minhas canções são tristes
Pode ser que meu silêncio mostre o outro lado
do meu ser.

Pode ser que refletir seja mais real
No vácuo do corpo.

Placebo

Tive ontem, hoje e há um bom tempo
um sonho um pouco estranho...

Não sei se foram as águas turvas de março
Ou as cristalinas dos meus olhos não verdes nem azuis
que calejaram-me a alma e me fizeram decepção até em sono:
assim não tenho nenhuma surpresa ao acordar.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Céu Azul

Dia vai
Dia vem
e eu só fico mais cheia de preguiça.

Boa noite.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A corda do

Teus beijos nas rodoviárias, teus beijos nas paradas
Os beijos que nos demos, os beijos que eu te dei
Os beijos na rua, na Barroso, Benjamim
Metáforas são beijos que te dou pra ler.

Até os beijos que não se passaram, no gasômetro ou na cama nossa,
Eu lembro, com receio de lembrar e não voltar pra reatar,
Pra desculpar.
Não sei fingir o sentimento do poema ou da canção
Por isso, penso eu, acredito tanto quando tocas tuas cordas...
Elas me tocam.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Um presente para Cristina

Olha, faz três dias que o sol não aparece
Eu sei, três dias que não toca o telefone
A umidade já escorre nas paredes
E a graça se perdeu em meio ao mundo
Mas, Clarissa, não brigues com tudo
Não vás gritando sobre o mal que vive o homem
As pessoas se assustam com pouco
e teus conflitos têm poder de alarmá-las...
Bem sabes tu o quão mais fácil é viver sem ver!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Organicizando

Tentei abrir a janela mas minhas mãos,
minhas mãos derreteram em água calma
que caiu no tapete que virou terra preta,
e ao sentir aquele conforto meus pés de mato viraram raiz
e meu tronco de madeira verde enrijeceu.

Meus cabelos continuaram cabelos
mas cabelos de àrvore, assim, meio folha
balançando, ainda, com o vento que entrou não sei de onde
pois no quarto fechado pela janela que não abriu
não tem vento
e na cidade fechada pelo concreto que não sarou
não tem brisa
não tem brisa.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Monumento aos quatro cinco

No chafariz da nossa praça,
água já não tem...

Sentamos, então, em suas bordas
E, para que não se sinta vazio,
O enchemos de planos e sonhos
Mais altos que o interior.

O monumento visual se torna inútil
Assim, tão útil para nossa voz
Um lugar, um coliseu, um teatro
Quem transborda toda vida somos nós.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sala

Meu amor vai passar na TV
Meu amor vai passar na TV
Eu olho, ele não vê...
Espero que sinta.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O Trem

No porto se ouve o trem que vem gritando aos sete ventos
Enfurecido nos trilhos que rondam a cidadela
E, assim, os novos e os velhos,
Os estudantes, os trabalhadores,
Os que acordam, os que sonham,
Os que o temem, os que o amam,
Os que vivem e os que morrem
Pensam em uníssono:
"Lá vem o trem, sempre ele vem,
para dizer que já é hora de agir...
Devo mudar?".

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Alma

Máquinas de escrever em papel toalha;
Pétalas de rosa caídas sobre a mesa de vidro;
Luz baixa na sala de jantar;
E todo aquele barulho das teclas pela casa vazia
Me assusta.

Revivo dramas literários e seus momentos de escrita
Enquanto a folha sai, marcada, alada, do outro lado:
Máquinas de escrever,
grandes máquinas do tempo...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

00:00

É perigoso quando uma cor te seduz.
Vive no céu, nas nuvens, nos tecidos, nos sapatos, nos casacos, nos cadernos, nos esmaltes, nas bicicletas, nos carros. Nos olhos, nos olhares, nos olhares, nos luares, nos pesares, nos amores e nas dores. Nas músicas, nas luzes, no escuro, nos sonhos, nos sonos, nos transtornos, nos adornos. Nos muros, nas paredes, nas casas, pintada em asas, em balas, nas malas, nas caras, nas cartas, no baralho de tarô. No salto fino, no vestido, na festa, na noite, na calça jeans, na camisa, na bebida, na saída, na partida, despedida, minha querida, me deixe só com a cor das minhas lágrimas...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Versos para Corar

- Me bronzeio com a tua lua e ela não me queima.
- Minha lua só enche esta pele de estrelas, para que, em vez do céu, vejas a mim.
- E no teu céu, os relâmpagos me arrepiam. Na tua boca, como a lua ao longe, por trás da lagoa, toco feito em sonho.
- São meus lábios que tremem, por vontade ou medo da tua presença e do temporal...

domingo, 10 de abril de 2011

Nova Roupa Colorida

Tudo aquilo que quiseste escrever no teto do meu quarto
eu vejo (até) nas tuas paredes e pelo chão
já que é recíproco.
Se a letra é minha ou se ela é tua
prefiro não me questionar...
Deixa ficar a sensação de que é tudo Bechior
e assim meteu o pé na estrada (like a rolling stone)
convidou sua menina pra correr no seu chevette
(loucura, chiclete e som)...

sábado, 2 de abril de 2011

Metalinguagem

Bicicleta estragada, eles disseram, tem que perguntar na oficina.
- Seu Autino, tem salvação?
- Salvação tem: troca o quadro.
Troca a alma, troca a cor. Já troca as rodas e revende.
Quer saber, seu bicicleteiro? Fica com ela pro senhor!
Pratico aqui a eutanásia e não vou ver o sol se pôr.
Estou em greve, eu queria pedalar... mas minha magrela morreu hoje.

Ah... que falta já sinto dos teus pedais machucando meus pés descalços.

Cansaço


Minha gata me encarava de baixo da escrivaninha.
Ela dizia: sei quem és, sei quem és.
Sabe bem que não é possível confiar cegamente
na doce ilusão de que o tempo muda tudo.

Esse "tempo" não muda nada.
O passar dos dias se anula e, se eu bem pensar,
Seguir em frente é pelo cansaço de esperar...
Mudar de vida é pelo cansaço de esperar a esperada vida chegar.

quinta-feira, 17 de março de 2011

REVIRAVOLTA

Na sempre calma casa da vó,
tomo um café em meio ao dilúvio.
Quando todos os ventos, e tempos,
e ânimos, e águas se exaltam...
é importante olhar fixo para alguma calma interior.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sentir só

Se eu disser que acredito
nas palavras que rasguei
e que desmonto todo
o quebra-cabeça que ganhei
volta pra casa e assiste TV?

Se eu disser que não importa
se perdi o meu verão
desde que ganhe
um inverno e um casaco
vai pedir de novo um lugar no sofá?

Pode voltar, pode voltar...
eu desisto de tentar perder pra ganhar.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Nasci em uma cidade pequena...

Quando criança, eu tinha duas amigas que eram uma e eram todas. Elas tinham alguns anos a mais do que eu e isso fazia eu me sentir superior às crianças da minha idade, não minto. Nós três passávamos os dias brincando de terra, brincando de bicho. Ao entardecer elas me contavam estórias de terror que arrepiavam e marcavam alguém do meu tamanho. Eu imaginava-as feiticeiras e, ao mesmo tempo em que sentia medo, fascinava-me.
Corria, então, todo santo dia até a esquina pra brincar. Atravessar o banhado era aventura digna de Indiana Jones; cuidar de passarinhos que caiam do ninho era quase uma faculdade de veterinária; ouvir aquelas estórias... ah... elas eram a chave pra minha imaginação e criatividade. À noite só conseguia dormir no meio da cama dos meus pais e, mesmo que eles dissessem que eu precisava dormir no meu quarto e ser valente, sei que adoravam me ter ali, encolhida entre eles.
Sol vem, sol vai, a árvore delas tinha uma casinha. Não sei explicar o que senti quando a árvore foi cortada, mas posso dizer que lágrimas pesaram meus olhos e meu peito. Três casas em série foram construídas no lugar das estórias, dos sonhos, dos passarinhos e da casinha.
É assim que as coisas são, tudo muda e evolui, eu sei. Mas, céus, por que será que é tão difícil ter tanta pressa quanto o mundo?

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Carros e Amanhecer

Abro o vidro que me separa do mundo
Posso sentir o cheiro de marcela recém colhida
A manhã que acaricia
Com nuvens coloridas, definidas
E o ar frio que machuca,
Bem de leve, meu nariz.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sobre o tempo

Ele disse que lembrou de mim e eu não sorri.
Bem, pensei com meus botões, eu não lembrei dele...
Simplesmente não consigo esquecê-lo.
Me entristece ser só uma lembrança guardada na gaveta enquanto ele ocupa todo o meu guarda-roupa
e todo o meu quarto
e todo o meu mundo e meu corpo

Quando eu disser que lembrei dele, aí sim me sentirei liberta
pois por um segundo o terei esquecido e, então, a meu ver,
tudo será possível.
Eu espero.