terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Nasci em uma cidade pequena...

Quando criança, eu tinha duas amigas que eram uma e eram todas. Elas tinham alguns anos a mais do que eu e isso fazia eu me sentir superior às crianças da minha idade, não minto. Nós três passávamos os dias brincando de terra, brincando de bicho. Ao entardecer elas me contavam estórias de terror que arrepiavam e marcavam alguém do meu tamanho. Eu imaginava-as feiticeiras e, ao mesmo tempo em que sentia medo, fascinava-me.
Corria, então, todo santo dia até a esquina pra brincar. Atravessar o banhado era aventura digna de Indiana Jones; cuidar de passarinhos que caiam do ninho era quase uma faculdade de veterinária; ouvir aquelas estórias... ah... elas eram a chave pra minha imaginação e criatividade. À noite só conseguia dormir no meio da cama dos meus pais e, mesmo que eles dissessem que eu precisava dormir no meu quarto e ser valente, sei que adoravam me ter ali, encolhida entre eles.
Sol vem, sol vai, a árvore delas tinha uma casinha. Não sei explicar o que senti quando a árvore foi cortada, mas posso dizer que lágrimas pesaram meus olhos e meu peito. Três casas em série foram construídas no lugar das estórias, dos sonhos, dos passarinhos e da casinha.
É assim que as coisas são, tudo muda e evolui, eu sei. Mas, céus, por que será que é tão difícil ter tanta pressa quanto o mundo?