segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

vêm e vão

de tempo em tempo sente em si a mesma sensação que repudia
e lá vai
não há espaço para convivência
a mente se torna incapaz.
quando tentativas vem em vão
dói
e a cada falha mais forças amarram o corpo
sugando-o para baixo
feito pedra ao mar.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

a desesperançar

A escuridão parece eterna
e em pensar eternidade, sofro.
Bom fosse o mundo fugaz
pra ser eterna apenas a consciência do ir
- foi.

domingo, 30 de setembro de 2012

chuva

estou certa de que nesta cama cabemos os dois
pois não coubéssemos, nos apertaríamos
e de boca a ouvido viriam sussurros calmantes
então por meu corpo desliza a mão
a voz, que é só brisa, se finda
e acaba de um jeito
que eu só penso em você


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

vai e vem

Quando viajo muito de ônibus
fico tonta.
À noite, no travesseiro
sinto a cabeça como se balançasse
no mesmo vai e vem.

O mesmo acontece
Quando passo o dia na água da praia
Quando perco algumas horas na rede
Quando bebo mais do que devo
E quando percebo estar amando.

Fico tonta.


domingo, 9 de setembro de 2012

Setembro

tanto tanto não saber e não gostar e mais querer
pois até acho que já sei
1 2 3
quatro ou cinco dias pra esperar
- é aquilo de querer o que não tem -
se fosse menos querer ia mais
se fosse a mais querer me ia menos
o que falta é um tanto tanto de acostumar

desistir
mas desistir é verbo forte, incompetente
na primeira pessoa, então, ui
diga-se deixar o cabelo crescer como quiser
diga-se parar de tentar
diga-se uma certa desorganização de mim
uma certa fraqueza.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Paranóia

Perdi o controle
Aive lóst controu
Não vou arriscar no espanhol
pois não tenho o charme das argentinas
mas bem que gostaria de falar francês
Die t'âime, no me quite pas...
Vou ficar escrevendo seu número do celular e da casa, vou escrever o nome da sua mãe do seu pai e dos seus filmes favoritos: não quero acordar e perceber que deixei escapar suas lembranças, andei pela casa umas cinco vezes deixei de lado meu medo de descer a escada à noite
acendi e apaguei, acendi e apaguei,
acendi apaguei acendi apaguei
acendi sem parar a luz do banheiro, tanto que ela queimou, da próxima vez que entrar em sua casa vou roubar uma camiseta suja pra usar de fronha, um mês depois eu sei já sei vou me desesperar quando ela já não tiver mais seu cheiro, quer dizer que não há mais volta pra mim pra ti, no lugar onde me meti o telefone não funciona, de manhã vou a praia mas a noite é fria o céu é mais estrelado eu perdi o controle
Aive lóst controu
Não vou arriscar no espanhol
pois não tenho o charme das argentinas
Mas bem que queria falar francês
Die t'âime, no me quite pas.


quinta-feira, 19 de julho de 2012

beleza interior

Quando perco o controle das palavras
vejo mandíbulas a se mover em minha cabeça
dezenas delas.
Enquanto algumas me são comuns,
muitas não reconheço,
desformadas.
Ouço o estalo de seus ossos se quebrando
e posso ouvir a pele rasgando em volta da boca
tamanho o esforço que fazem
na briga para que eu lhes escute.
Disputam minha atenção,
aquelas caras desfiguradas,
e por mais que feche os olhos, ninguém vai embora
é possível entender?
Sinto um frio no lugar que meu útero habita
e meus pés congelam onde estiverem,
as mãos com suor e a garganta secando,
meu olhar pára, aflito, em objeto qualquer.
Elas falam e gritam em língua nenhuma,
com suas línguas descontroladas
babando,
entrando e saindo de suas bocas,
seus olhos saltando das órbitas e
suas cabeças sem corpo voltadas à mim
em volta a mim, dentro de mim,
em fundo preto,
elas gritam formando harmônicos
em massa violenta de vozes agudas, empalhaçadas,
pupilas inquietas, vesgas,
eu tonta, tonta,
peço em silêncio que se vão, em vão.
Do vão da mente tiro palavras das quais me arrependo
logo depois
e quanto maior o arrependimento,
mais elas riem,
mais elas gritam,
mais elas giram e me torturam
e se alimentam.

domingo, 10 de junho de 2012

Todo dia

Todo dia, todo dia, todo dia,
todo dia
toda vez.
Parafraseando cotidianos,
pois toda rotina é igual
em sua diferença,
sei que meu diferente
é enlouquecer tão normal.

Merda,
e olha,
que parafrasear é uma palavra tão bonita.


sábado, 31 de março de 2012

Anoitecia...

Eu segurava os lírios
E ela chorava seu choro engasgado;
Eu sentia os lírios e ela fechava os olhos sofridos;
O perfume dos lírios e sua agonia gritada;
A leveza dos lírios e o ar pesado de dor.

Mais sentia o doce aroma mais amargo era o peito:
Segurava lírios para mãe minha
e dela a mãe segurava o corpo
consciente de ser o amor, maior fardo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Enfim

Aqui estou mas aqui não me encontro:
me desencontrou toda esta tua briga.
Vou caminhar pelo vento pra ver
se me acho
E nadar em minha rua pra ver
se me sinto.
Vou te esquecer infinito pra ver
se me lembro
E lembrar da despedida
pra sorrir
em mim.

Todo o tempo dedicado em vão
Em paz vejo, então,
não era eu/não era meu.

Em fim volto a ser árvore e pássaro
Mas um só, me converjo.
E o espelho volta a estender-me mãos
Quando lembro do meu lírico
enfim.

domingo, 4 de março de 2012

desnaturar

despego as coisas que me pegam de mal jeito
e des a pé governo a vida como quero
desaturo a atadura que me prende ao teu descaso
e desamarro a marra criada pelo acaso tão em vão.
desapego minha angústia desigual
e o desapego me parece mais normal que o desfazer,
meu desapego me aparece mais normal ao desfazer
sem descartar.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Mãe

Pedalava azul com a lua ao lado
quando tive de dobrar a esquina.
Não queria lhe dar as costas
mas precisei mudar de direção.
Pude, sim, olhar pra trás, mas me senti nostálgica
- o que não fez bem.
Guardei, então, a imagem no silêncio do peito
e fiquei com a sensação de lua.
Protegendo meus ombros, me fazendo filha,
arrepiando a pele azul que cobre minha alma,
ainda amarela.
Só pra colorir...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Colorir

Pela janela vejo o céu tão cinza
que minha alma se amarela
pra dar cor.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Mania

Gosto de perguntar para ouvir o responder
não importa se as palavras formam linhas
que já sei
gosto do sol que nasce em água
não importa se o nascer é a rotina
de uma vida que já vi

nascimentos e palavras diferencio
por dias
e bocas:
cada um, por si só,
um espetáculo a parte.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sujeira

Quando já não se sabe dizer o quão difícil se tornou - já é rotina. Dia destes me enchi de alegria por não lembrar mais todos os dígitos do teu numero - que ilusão. Dia hoje procuro pelos cantos, tiro o pó de detalhes que reconstruam pouco a pouco o que (não) passou.
Curada nunca me senti, admito. Mas por um tempo tentei em vão parar de julgar com minhas forças: como droga engoli lágrimas e saliva pronta para falar... de súbito vomito agora o intacto comprimido. Nada foi por mim digerido e isso me apavora. Me apavora. Me entristece. Me culpa.
Minha culpa, então descubro, em meio ao pó. Culpa minha. Sem defesa me coloco enfrente a mim para apontar-me toda culpa que devo sentir.
Não me rendo a ti, me rendo a mim. Devia calar mas não encontro canto algum pra esconder tanta lembrança e já não canto como antes pra exibir o sentimento.
É meu purgatório, aqui não vou nem fico. Dante, meu querido, venha logo me buscar...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Falta de atenção

Não posso comprar jóias caras
porque sempre as perco.
Deve ser por isso que também não posso me apaixonar.