sábado, 31 de março de 2012

Anoitecia...

Eu segurava os lírios
E ela chorava seu choro engasgado;
Eu sentia os lírios e ela fechava os olhos sofridos;
O perfume dos lírios e sua agonia gritada;
A leveza dos lírios e o ar pesado de dor.

Mais sentia o doce aroma mais amargo era o peito:
Segurava lírios para mãe minha
e dela a mãe segurava o corpo
consciente de ser o amor, maior fardo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Enfim

Aqui estou mas aqui não me encontro:
me desencontrou toda esta tua briga.
Vou caminhar pelo vento pra ver
se me acho
E nadar em minha rua pra ver
se me sinto.
Vou te esquecer infinito pra ver
se me lembro
E lembrar da despedida
pra sorrir
em mim.

Todo o tempo dedicado em vão
Em paz vejo, então,
não era eu/não era meu.

Em fim volto a ser árvore e pássaro
Mas um só, me converjo.
E o espelho volta a estender-me mãos
Quando lembro do meu lírico
enfim.

domingo, 4 de março de 2012

desnaturar

despego as coisas que me pegam de mal jeito
e des a pé governo a vida como quero
desaturo a atadura que me prende ao teu descaso
e desamarro a marra criada pelo acaso tão em vão.
desapego minha angústia desigual
e o desapego me parece mais normal que o desfazer,
meu desapego me aparece mais normal ao desfazer
sem descartar.