quinta-feira, 19 de julho de 2012

beleza interior

Quando perco o controle das palavras
vejo mandíbulas a se mover em minha cabeça
dezenas delas.
Enquanto algumas me são comuns,
muitas não reconheço,
desformadas.
Ouço o estalo de seus ossos se quebrando
e posso ouvir a pele rasgando em volta da boca
tamanho o esforço que fazem
na briga para que eu lhes escute.
Disputam minha atenção,
aquelas caras desfiguradas,
e por mais que feche os olhos, ninguém vai embora
é possível entender?
Sinto um frio no lugar que meu útero habita
e meus pés congelam onde estiverem,
as mãos com suor e a garganta secando,
meu olhar pára, aflito, em objeto qualquer.
Elas falam e gritam em língua nenhuma,
com suas línguas descontroladas
babando,
entrando e saindo de suas bocas,
seus olhos saltando das órbitas e
suas cabeças sem corpo voltadas à mim
em volta a mim, dentro de mim,
em fundo preto,
elas gritam formando harmônicos
em massa violenta de vozes agudas, empalhaçadas,
pupilas inquietas, vesgas,
eu tonta, tonta,
peço em silêncio que se vão, em vão.
Do vão da mente tiro palavras das quais me arrependo
logo depois
e quanto maior o arrependimento,
mais elas riem,
mais elas gritam,
mais elas giram e me torturam
e se alimentam.

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