terça-feira, 25 de março de 2014

Armazém I

A alface, vulgo mato, está supervalorizada
devido a dificuldades nas condições climáticas
que fazem ela não crescer direito
e ficar toda mirradinha.

O vendedor de alfaces,
que colheu verduras
antes de nascer o sol
e trouxe-as a mim
ainda antes das oito,
aquele senhor tem a cara da manhã.

Conversou interessado sobre o avião perdido,
Elogiou a cor do meu cabelo
e me disse bom dia em pomerano
antes de sair assoviando.

Amanhã cedo, novamente,
seu Ademar há de vir:
encomendei alfaces, quarta é dia de salada
E a dondoca da dona Elba
vai aparecer pra reclamar
"cruzes, que alface cara! Vocês não tem vergonha, não?"

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