segunda-feira, 28 de abril de 2014

Agora que já faz um mês

O vidro quebrado por meu pulso
Na janela
é portal do vento a açoitar minhas velas.
Dobram-se as chamas por permiti-lo andar sobre elas,
repousar em meu quarto
em forma de frio.
Calado observa
o velho cabide cheio de chapéus
que quando criança assustava-me com formas de senhor,
e agora dança a sombra à luz das velas de malas prontas para partir.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Poema triste do poema perdido

Hoje estou triste, não vou escrever por um mês.
Perdi um poema, sumiu meu rascunho. Estava certa de que lá estava
e não, não estava, não.
Deve ter caído pelos corredores
Voado com a ventania que fazia,
Borrado com a chuva.
Alguém deve ter lido e achado bobo
pois estava todo riscado e recolocado!

Lembro da primeira frase, dizia,
"gosto de mulheres compridas"
e lembro que escrevi pois achei bonito o modo como minha professora falava
e movia as mãos.
Mas o resto, agora, ficou preso no limbo lírico.

Espero que alguém tenha lido, pelo menos.
Espero que alguém tenha roubado, mostrado,
pode ter até rido. Mas que exista!
Pois pra mim só restou a sensação de escrever sobre as mulheres
e a desvontade, o desgosto, o desestímulo de compôr tudo de novo
sem nunca ficar igual
e sim, sempre pior ao poema-musa que se foi.
Serão comparações vãs.

Estou triste e vou demorar a escrever sem pensar nele.