sexta-feira, 27 de junho de 2014

Lembrança

A chuva finalmente começou a cair.
Sentada na janela observo os sons do escuro:
grilos, sapos, cães
chuva.

Imagino o chão molhado por entre as graminhas, a terra fértil, o chão vivo faz barulho.
Imagino as minhocas sentindo a terra molhada
em seus corpos retorcidos
E as lesmas colocando pra fora suas anteninhas curiosas.
Penso nas formigas tristes operárias dentro de seus formigueiros
e os tatus bolinha que se escondem
pra quem já não é criança não achá-los
de jeito algum.

Penso nas aranhas
sentindo as gotas começarem a chegar em suas teias,
ficando bravas por não serem mosquitos
mas mantendo seu orgulho de aranha.

penso naquele inseto,
o que alguém me disse alguma vez
que faz barulho até explodir
e que apelidei, gentilmente, de besouro suicida
Será verdade?

Penso na casa de minha avó, sinto saudades.
Que tanta lembrança a chuva nos traz!
Por isso dói a chuva quando se sofre.

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