terça-feira, 15 de setembro de 2015

Insolúvel

Durmo.
Durmo tanto que fragmentos de sonho
se misturam
e quando acordo,
finalmente,
já não sei o que é real
e o que sonhei.

Das lembranças
o que disse
e o que não disse;
das sensações
que continuam em meu corpo,
pedaços perdidos de sensações
vagam em meu sangue
me enjoam
me excitam
me enojam
me confundem.

É a verdade que me nego
a acordar.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Transparecer

Tem certas feridas no meu corpo
que surgem como um pelo infeccionado na virilha
ou uma espinha estourada no queixo
as quais cutuco
tirando suas casquinhas
peles recém regeneradas
e metendo nelas minhas unhas
várias vezes ao dia
mesmo sem querer
mesmo que doa
mesmo que algo me diga para parar.

Até que em um determinado momento
as feridas já não fecham
e viram-se em constante carne viva
remexida
já nem sangram
só liberam alguns fluidos corporais
na tentativa vã de cicatrizar.
Mas eu não deixo.

As vezes imagino todo meu corpo invadido
milimetricamente
por essas feridas rosadas amareladas e molhadas
e eu com as unhas cutucando o corpo inteiro
ainda na esperança tosca de ser bela
mas sabendo que o interior
podre
transparece
sempre.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

mérito originalidade emprego e venda

Evitar
exibições
do ser em local
público.

Evitar
palavras feias
em locais
poético-burocráticos.

Evitar pessoas
feias
em locais
de exibição pessoal.

Evitar roupas sujas
braguilha aberta
cocô no pé
alface no dente.

Evitar unhas descascadas
pêlos de gato
pegar sapo na mão
sovaco peludo.

Evitar
casos de amor
em cidades conservadoras.

Evitar
andar
com "esse" tipo de gente.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Saudade

Amor meu,
quando tu partes a saudade
é maior que tudo.

Vejo a saudade escorrer por minhas paredes,
Sinto-a entrar em minha pele,
Habitar meu peito
em forma de vazio.

A saudade como uma fisgada
que finca sempre quando me mexo.
Algum órgão infeccionado.

A saudade a me lembrar
de ti
plenamente.

Tua presença constante,
A sensação de ti,
A saudade.

Saudade que me faz escrever-te
um poema de amor,
Sentir-me tola
- ou não,
pois um poema de saudade.

A saudade é esta coisa masoquista
que me mantém
apaixonada
ao me torturar.