segunda-feira, 17 de abril de 2017

Sobre a necessidade de encontrar codinomes/eu-líricos

Poesia narcisista
Obra egoísta.

Eu eu eu eu eu.
Eu.
Pesa o clima!
Poema diário, sem chaves,
lançado na rede pra ninguém ver
ou pra quem quiser ver
ou pra quem chegar sem querer naquele sítio.
Neste sítio.

Bem aqui,
de onde esse poema não sairá.
Poema sozinho de versos sem fundo
Nascerá e morrerá nesse endereço:

w w w ponto
Aqui jaz
Minha poesia egocêntrica.

Um comentário:

  1. A rua está cinza, minha amiga
    Como as cinzas de meu cinzeiro
    O frio úmido batendo-me na cara
    Enquanto eu voltava de bicicleta
    Sendo espremida pelos carros
    E jogada nos canteiros

    Estava a dar uma volta
    Pelas ruas tortas de Pelotas
    Reparando em algumas lajotas
    Também gostas dessas lajotas?
    As de hoje em dia são tão cinzas
    Acho um insulto a falta de criatividade

    E as senhorinhas, tão fofinhas
    Todas emperiquitadas
    Que andam pelas ruas antigas do centro
    Dessa cinza cidade
    De cachecol e casacos com perfume velho impregnado
    Sintonizadas com o outono do sul

    Lembrei do cigarro que fumamos nas escadas
    Foi quando cruzei com tua bicicleta azul
    E me deparei com a consistência
    Da parte da tua existência
    Que queres mostrar

    Um dia conversávamos do quanto a pequena cidade nos entendiava
    E divagávamos sobre os nossos diferentes eus
    Que nos fazem moradores
    Enquanto fotografavas propagandas de sífilis no museu
    E eu a encadernava jornais
    E esquecia minhas dores

    Quando estiveres em teus papeis debruçada
    Peço-te para que não percas a fé
    Se tuas quatro paredes te aprisionam
    Foque naquelas coisas boas que te emocionam
    E a ser alguém melhor te impulsionam
    Quando vieres me chame para um café
    E falarei que também sinto falta de casa
    Mas não sei se quero voltar

    Peço-te também
    Não te sintas egoísta
    Nem narcisista
    Por amares a ti
    Não tem como não te amar, minha amiga
    Não é só porque és uma mulher linda
    Ou porque tens tua personalidade própria
    És como és, e o resto não te importa

    Não penses que estou te cantando
    É que algumas pessoas me encantam
    Assim como tuas produções
    E as canções
    Que ainda não te ouvi cantar
    E me pego a jogar frases pelos cantos
    Porque também gosto de escrever para não cair em pranto

    Então, resolvi fazer essa poesia
    E largar na tua janela virtual
    Para fazer uma diferença no teu dia
    Para que não seja igual
    E para saberes que tem pessoas que te admiram
    Ainda que não queiram te fazer uma placa
    Te acham toda poesia
    Por também não seres igual

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